Trigésimo sétimo
ou Sobre canoas, trânsito e chegadas
O tempo…
Às vezes esqueço que segunda-feira, aqui, é domingo por aí, e que Aos Domingos deveria, teoricamente, ser publicado às segundas. E, quando lembro, como agora, por exemplo, já é quase domingo aí também — um domingo de carnaval, decerto quente, decerto cheio.
Por aqui, o verão esfria, Martim se acostuma com a creche, Raquel e eu nos habituamos, pouco a pouco, a subir ladeira empurrando carrinho de bebê e a andar de ônibus e trem pela cidade. Sem carro, nossos horários precisam se adaptar: uma hora a mais para sair daqui e chegar ali; depois, outra uma hora a mais pra chegar de acolá até mais adiante, ou de volta. Enfim, transporte público é transporte público em qualquer lugar, embora o daqui não venha apinhado de gente como, digamos, o metrô de São Paulo. Nem perto disso — aqui em Auckland vivem menos de 2 milhões de pessoas. Em São Paulo, mais de 10. Milhões. Contando a grande São Paulo, mais de 20. Milhões. A Nova Zelândia inteira não chega a 6 milhões de habitantes. É um descalabro.
E vamos nos habituando a sermos parte da Universidade de Auckland, com carteirinhas de Pesquisadores Visitantes e tudo. Com acesso a uma estrutura de prédios e equipamentos que, no Brasil, nem de longe conheço — talvez até haja naquelas universidades particulares renomadas e caríssimas, ou nos prédios de departamentos mais endinheirados que os nossos, de Ciências Sociais. Mas aqui, parece que a universidade é grande e suficiente para todo mundo (aposto que não é, e que as Humanidades e quetais sofrem, aqui, o mesmo que no Brasil, ainda que em outra escala. Mas ainda não sei).
… e o mar.
Entre sexta e domingo trabalhei como voluntário em uma competição grande de canoa havaiana aqui em Auckland, em uma praia ao norte chamada Takapuna. Takapuna Beach Cup, organizada pela associação nacional de waka ama — o nome Maori da canoa que a gente se acostumou, no Brasil, a chamar de havaiana ou, mais genericamente, polinésia.
Foi interessante poder estar em lugares diferentes da remada. De sexta a domingo não entrei em uma canoa sequer, mas ajudei a identificar os competidores na linha de chegada — no papel de spotter, quem lê o número de registro da canoa competidora e ajuda a registrar a ordem de chegada —, fiquei três horas num frio tremendo em um dos barcos de segurança, acompanhando a meia maratona feminina, e, no domingo, carregando sacos e caixas e barreiras de metal pra lá e pra cá, desmontando o evento. Ah, e também entregando as medalhas de prata e ouro aos vencedores de prata e ouro das diferentes categorias que competiram no domingo. Foi interessante. Mas espero remar em breve.
E, embora eu não tenha tirado nenhuma foto disso, especificamente, durante meu tempo no barco de segurança eu vi, bem do lado de nosso bote, nadando rápido feito torpedos, não um, mas dois — dois — pinguins! Pinguins azuis, espécie nativa da Nova Zelândia e pequenininha, pequenininha, a menor espécie de pinguins que há. No meio do mar, no meio do verão. Pois é.
Bom carnaval pra vocês, que aqui a gente vai comemorar, esses dias, a chegada do ano novo chinês — a Nova Zelândia tem uma população chinesa de quase 300 mil pessoas. É gente.
Até mais ver.

